sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

5º dia: Chileno > Torres del Paine > Hosteria Las Torres (16km)

Sem dúvidas essa foi a noite mais fria de todas que passamos aqui dentro do parque. O refúgio Chileno possui duas lareiras, inclusive uma delas ficava ao lado do nosso quarto! Mas para o nosso azar, ela estava apagada. Acenderam apenas a lareira da sala, que provavelmente deve ter se apagado durante a noite. Dormi com a segunda pele, calça, fleece e luvas. E mesmo assim, senti frio!

Levantamos famintos às 7h30m e fomos comer. O café da manhã foi no mesmo estilo do refúgio Los Cuernos: suco de abacaxi, chocolate quente, dois pães torrados, manteiga, geléia, ovos mexidos e o tal "mingau" que a Flavinha adorou. Durante o café todos estavam na expectativa para a subida às torres. Mas as espectativas eram boas, devido ao bom tempo. O que acontece é que nem todos que chegam à base das torres conseguem vê-las. Se vc chegar lá com o tempo fechado, nada de torres. Não precisa nem falar do medo que estávamos disso acontecer, né?

Como teríamos que voltar para o refúgio Chileno antes de ir embora, não precisamos levar o mochilão na caminhada. Preparamos a mochila de ataque e às 8h50m iniciamos a última perna do W!


A trilha começa em uma matinha, com muitos riachos, subidas e descidas. Andamos bem devagar pois os meus joelhos estavam doendo bastante. Então chegamos no pé da subida das torres, a pior parte da trilha: são 45 minutos morro acima 'escalaminhando' pedras até chegar ao mirador Las Torres! Quando começamos a subir encontramos um grupo de israelitas que estavam voltando do mirador. Eles fizeram algumas piadinhas dizendo que nesse trecho poderíamos deixar os bastões de caminhada pra trás, que precisaríamos apenas das nossas pernas e mãos para chegar lá em cima.


Chegamos nas torres às 10h50m, e foi muito emocionante! As torres estavam visíveis, lindas e imponentes. Tiramos algumas fotos e logo em seguida uma nuvem cobriu as três torres. A subida nas pedras judiou bastante dos meus joelhos, então eu peguei uma sacolinha plástica, enchi de neve e coloquei nos joelhos para amenizar a dor. Algum tempo depois a nuvem saiu, e começamos outra sessão de fotos. As Torres del Paine são três dedos de granito que fazem parte do maciço Paine, que é composto pelo conjunto de montanhas que estão presentes no parque. Existem duas formas de percorrer o Circuito W: East to West e West to East. Na primeira opção, vc começa pelas torres, visitando-as no primeiro dia. Optamos pela segunda opção para ter o gostinho de vitória ao chegar nas torres no último dia, uma sensação inexplicável.


Pegamos o caminho de volta em torno de 11h40m. Foi bem cansativo voltar ao refúgio Chileno, descer o trecho de pedras foi puro sofrimento pros meus joelhos.


Chegamos no refúgio Chileno às 14h50m. Fizemos uma pausa para descansar, comemos alguma coisa, pegamos o mochilão e iniciamos a reta final da nossa caminhada. O fim da trilha é na hosteria Las Torres, um hotel chiquérrimo que tem fica do parque. Para terem uma idéia do luxo do lugar, a diária mais barata sai em torno de US$500.


A trilha até a hosteria é um single track em descida sob o monte Almirante Neto com uma vista incrível para o lago Norkenskjold. Em alguns pontos da descida dá pra ver a hosteria se aproximando, e a sensação de dever cumprido vai só aumentando.


Às 16h40m chegamos na recepção da hosteria Las Torres, nos informamos sobre os horários do micro-ônibus que nos levaria à portaria Laguna Amarga e vimos que teríamos tempo de sobra para um descanso. Da portaria do parque pegaríamos a van que nos levaria de volta a Puerto Natales. Fomos para o bar da hosteria e brindamos o fim do circuito W com uma merecida cerveja geladíssima e comemos um sanduíche enorme de carne e queijo.


Na hosteria conhecemos o Oscar, um designer gráfico inglês que foi passar o dia no parque deixando a esposa grávida em Puerto Natales. Ele estava desesperado, pois o ônibus estava atrasado e ele estava com medo de perder a van para Puerto Natales. Eu expliquei para ele que as vans que ficam na portaria sempre esperam o micro-ônibus do hotel antes de irem embora, mas mesmo assim ele decidiu sair andando pela estrada atrás de uma solução. Detalhe: da hosteria até a portaria Laguna Amarga são uns 10km!

Como bons brasileiros que somos, acostumados com um atraso, esperamos um pouquinho e logo, logo o micro-ônibus apareceu. Alguns minutos pela estrada ele parou para resgatar o Oscar, que já estava arrancando os cabelos de tanto desespero. O motorista o acalmou, dizendo que ele não perderia o transporte para a cidade e isso fez com que ele acalmasse um pouco. Conversando com ele, descobri que ele mora em Londres e que embacaria para o Brasil no dia seguinte, ia pra Natal com a esposa. Ele estava ansioso para conhecer o Brasil, me perguntou sobre as praias, violência, etc.


Chegamos na portaria Laguna Amarga e diversas vans e ônibus esperavam os caminhantes que iam para Puerto Natales. Pegamos a nossa van e rumamos para a cidade, já com aquele aperto no coração de estar deixando pra trás aquele lugar maravilhoso que é Torres del Paine. Circuito W: missão cumprida!

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Pernoite no refúgio Chileno: CLP 19.000,00 (US$ 38)
Café da manhã no refúgio: CLP 5.000,00 (US$ 10)
Jantar no refúgio: CLP 9.000,00 (US$ 18)
Pacote Completo*: CLP 39.000,00 (US$ 78)
*-Pernoite, Jantar, Café e Box Lunch
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