domingo, 20 de dezembro de 2009

[Vídeo] Torres del Paine - Circuito W



Patagônia, novembro/2008. Um pequeno resumo do Circuito W, no Parque Nacional Torres del Paine, sul do Chile. São 4 dias e 80km de caminhada, em 10 minutos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

5º dia: Chileno > Torres del Paine > Hosteria Las Torres (16km)

Sem dúvidas essa foi a noite mais fria de todas que passamos aqui dentro do parque. O refúgio Chileno possui duas lareiras, inclusive uma delas ficava ao lado do nosso quarto! Mas para o nosso azar, ela estava apagada. Acenderam apenas a lareira da sala, que provavelmente deve ter se apagado durante a noite. Dormi com a segunda pele, calça, fleece e luvas. E mesmo assim, senti frio!

Levantamos famintos às 7h30m e fomos comer. O café da manhã foi no mesmo estilo do refúgio Los Cuernos: suco de abacaxi, chocolate quente, dois pães torrados, manteiga, geléia, ovos mexidos e o tal "mingau" que a Flavinha adorou. Durante o café todos estavam na expectativa para a subida às torres. Mas as espectativas eram boas, devido ao bom tempo. O que acontece é que nem todos que chegam à base das torres conseguem vê-las. Se vc chegar lá com o tempo fechado, nada de torres. Não precisa nem falar do medo que estávamos disso acontecer, né?

Como teríamos que voltar para o refúgio Chileno antes de ir embora, não precisamos levar o mochilão na caminhada. Preparamos a mochila de ataque e às 8h50m iniciamos a última perna do W!


A trilha começa em uma matinha, com muitos riachos, subidas e descidas. Andamos bem devagar pois os meus joelhos estavam doendo bastante. Então chegamos no pé da subida das torres, a pior parte da trilha: são 45 minutos morro acima 'escalaminhando' pedras até chegar ao mirador Las Torres! Quando começamos a subir encontramos um grupo de israelitas que estavam voltando do mirador. Eles fizeram algumas piadinhas dizendo que nesse trecho poderíamos deixar os bastões de caminhada pra trás, que precisaríamos apenas das nossas pernas e mãos para chegar lá em cima.


Chegamos nas torres às 10h50m, e foi muito emocionante! As torres estavam visíveis, lindas e imponentes. Tiramos algumas fotos e logo em seguida uma nuvem cobriu as três torres. A subida nas pedras judiou bastante dos meus joelhos, então eu peguei uma sacolinha plástica, enchi de neve e coloquei nos joelhos para amenizar a dor. Algum tempo depois a nuvem saiu, e começamos outra sessão de fotos. As Torres del Paine são três dedos de granito que fazem parte do maciço Paine, que é composto pelo conjunto de montanhas que estão presentes no parque. Existem duas formas de percorrer o Circuito W: East to West e West to East. Na primeira opção, vc começa pelas torres, visitando-as no primeiro dia. Optamos pela segunda opção para ter o gostinho de vitória ao chegar nas torres no último dia, uma sensação inexplicável.


Pegamos o caminho de volta em torno de 11h40m. Foi bem cansativo voltar ao refúgio Chileno, descer o trecho de pedras foi puro sofrimento pros meus joelhos.


Chegamos no refúgio Chileno às 14h50m. Fizemos uma pausa para descansar, comemos alguma coisa, pegamos o mochilão e iniciamos a reta final da nossa caminhada. O fim da trilha é na hosteria Las Torres, um hotel chiquérrimo que tem fica do parque. Para terem uma idéia do luxo do lugar, a diária mais barata sai em torno de US$500.


A trilha até a hosteria é um single track em descida sob o monte Almirante Neto com uma vista incrível para o lago Norkenskjold. Em alguns pontos da descida dá pra ver a hosteria se aproximando, e a sensação de dever cumprido vai só aumentando.


Às 16h40m chegamos na recepção da hosteria Las Torres, nos informamos sobre os horários do micro-ônibus que nos levaria à portaria Laguna Amarga e vimos que teríamos tempo de sobra para um descanso. Da portaria do parque pegaríamos a van que nos levaria de volta a Puerto Natales. Fomos para o bar da hosteria e brindamos o fim do circuito W com uma merecida cerveja geladíssima e comemos um sanduíche enorme de carne e queijo.


Na hosteria conhecemos o Oscar, um designer gráfico inglês que foi passar o dia no parque deixando a esposa grávida em Puerto Natales. Ele estava desesperado, pois o ônibus estava atrasado e ele estava com medo de perder a van para Puerto Natales. Eu expliquei para ele que as vans que ficam na portaria sempre esperam o micro-ônibus do hotel antes de irem embora, mas mesmo assim ele decidiu sair andando pela estrada atrás de uma solução. Detalhe: da hosteria até a portaria Laguna Amarga são uns 10km!

Como bons brasileiros que somos, acostumados com um atraso, esperamos um pouquinho e logo, logo o micro-ônibus apareceu. Alguns minutos pela estrada ele parou para resgatar o Oscar, que já estava arrancando os cabelos de tanto desespero. O motorista o acalmou, dizendo que ele não perderia o transporte para a cidade e isso fez com que ele acalmasse um pouco. Conversando com ele, descobri que ele mora em Londres e que embacaria para o Brasil no dia seguinte, ia pra Natal com a esposa. Ele estava ansioso para conhecer o Brasil, me perguntou sobre as praias, violência, etc.


Chegamos na portaria Laguna Amarga e diversas vans e ônibus esperavam os caminhantes que iam para Puerto Natales. Pegamos a nossa van e rumamos para a cidade, já com aquele aperto no coração de estar deixando pra trás aquele lugar maravilhoso que é Torres del Paine. Circuito W: missão cumprida!

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Pernoite no refúgio Chileno: CLP 19.000,00 (US$ 38)
Café da manhã no refúgio: CLP 5.000,00 (US$ 10)
Jantar no refúgio: CLP 9.000,00 (US$ 18)
Pacote Completo*: CLP 39.000,00 (US$ 78)
*-Pernoite, Jantar, Café e Box Lunch
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

4º dia: Los Cuernos > Chileno (16km)

Como ontem foi um dia muito estressante e hoje a distância a percorrer é menor, decidimos nos presentear com 1h a mais de sono. Acordamos às 8h, e a primeira coisa que escutei foi o barulho dos ventos lá fora. Como as cortinas estavam fechadas, imaginei que a chuva ainda estava caindo, desde a noite anterior. Mas ao levantar e abrir a janela tivemos a feliz surpresa de avistar um belíssimo céu azul e a estonteante imagem dos Los Cuernos, cobertos de sol!


O café da manhã foi básico, teve suco, café com leite, dois pães torrados, ovos mexidos e uma espécie de mingau com cereal que a Flavinha detestou (fui obrigado a tomar dois mingaus!) Depois do café, fomos terminar de arrumar as mochilas para começar a caminhar.


Saímos do refúgio às 9h50m, a trilha vai margeando o lago Nordenskjold por muito tempo. É uma trilha bem tranquila, composta por singles tracks e muitos riachos pelos caminho, que deságuam no lago. Existem também vários miradores do lago e dos Los Cuernos, com visuais de perder o fôlego. Pela primeira vez, desde o início do trekking, foi possível caminhar somente de camiseta, sem fleece ou corta-vento!


Quando chegamos no final do lago Nordenskjold, contornamos o Monte Almirante Neto adentramos o Vale Ascencio, que é onde fica o refúgio Chileno. Esse vale é maravilhoso, no centro dele corre o rio Ascencio que é formado pelo degelo das montanhas. Do início do vale dá pra avistar o refúgio, e a trilha até lá é fica numa curva de nível, cortando a montanha. Venta muito nesse vale e é preciso ter muito cuidado pra não desequilibrar e cair lá embaixo. Quem tem medo de altura passa aperto nesse lugar!



Chegamos no refúgio Chileno às 14h50m. A estrutura é muito parecida com o refúgio Los Cuernos. Os preços são os mesmos e os quartos são idênticos. Isso explica-se pelo fato de existirem duas empresas responsáveis pelos refúgios, a
Vertice Patagonia e a Fantastico Sur. O Paine Grande é administrado pela Vertice Patagonia e o Los Cuernos e Chileno, pela Fantastico Sur. Apesar da semelhança, gostei mais do astral do Chileno. Talvez pelo bom tempo, por ter chegado após um dia delicioso de caminhada, bem diferente do dia anterior. Da janela da sala de estar do refúgio dá pra avistar um pedacinho das Torres del Paine! Ficamos tomando uma cervejinha e nos concentrando no nosso objetivo do dia seguinte.


Durante a trilha nós quase não vimos marcações, como nos dias anteriores. Mas o caminho é muito bem definido, e não tivemos dúvidas em nenhum ponto. Todas as bifurcações são sinalizadas por placas, indicando para qual lado seguir e quanto tempo de caminhada falta para chegar ao destino.


Depois do banho, fomos jantar, e esse seria o nosso último jantar dentro do parque. E para a nossa surpresa, foi o melhor de todos! De entrada, teve sopa de legumes com arroz e carne. O prato principal foi uma suculenta lasanha à bolonhesa e pra fechar, de sobremesa, mousse de chocolate! Jantar nota 10!



Após o banquete, a Flavinha teve mais trabalho com os meus joelhos, que ainda estavam incomodando um bocado. Eles acordaram bem melhores, mas depois de 16km de caminhada ficaram um pouco judiados. Depois do por do sol, lá pelas 21h, esfriou bastante. O pessoal do refúgio acendeu as lareiras, mas parece que o fogo não pegou direito, pois não estava esquentando nada! Então nos encapotamos de agasalhos e fomos deitar, desta vez bem próximos do nosso objetivo: as Torres del Paine!


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Pernoite no refúgio Los Cuernos: CLP 19.000,00 (US$ 38)
Café da manhã no refúgio: CLP 5.000,00 (US$ 10)
Jantar no refúgio: CLP 9.000,00 (US$ 18)
Pacote Completo*: CLP 39.000,00 (US$ 78)
*-Pernoite, Jantar, Café e Box Lunch
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